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Os riscos de viver na fachada

Segunda-feira, 22.10.12
Por Eduardo Ferraz* | Portal HSM

 

Você se conhece realmente? É uma pessoa dinâmica ou alguém impulsivo? Já se perguntou como as pessoas a sua volta o veem, de verdade? É muito comum distorcermos nossas percepções para sentirmo-nos mais competentes do que na verdade somos. 

 

A maioria das pessoas tende a exagerar suas habilidades e minimizar suas falhas. Isso leva o indivíduo a ver o mundo não como ele é, mas como gostaria que fosse, causando distorções que no futuro normalmente causarão frustração e tristeza. Uma boa maneira de diminuir essas distorções é usar a Janela de Johari. Trata-se de uma ferramenta criada por dois psicólogos americanos e que ajuda a conceituar o processo de percepção de um indivíduo em relação a si mesmo e aos outros.

 

A janela da fachada representa as áreas da personalidade que o indivíduo conhece sobre si próprio, mas que não são conhecidas pelas pessoas com as quais convive. É na fachada que se encontram comportamentos que, pelos mais diversos motivos, a pessoa não quer que os outros conheçam. 

 

Essa atitude de esconder opiniões e pensamentos pode ter relação com o medo de que, se o grupo conhecer esse conteúdo, poderá rejeitá-la ou atacá-la de alguma forma. É na fachada que está a intenção de controlar ou manipular os outros. Por exemplo: a pessoa se mostra compreensiva e calorosa com o objetivo de conquistar a confiança de alguém e depois usar essas informações para ameaçá-la. Entretanto, nem sempre a fachada é negativa. Pessoas muito introvertidas costumam ter uma fachada bastante grande, não porque tenham má intenção, mas porque têm medo de serem mal interpretadas.

 

Em certa ocasião, acompanhei um processo de seleção para o cargo de gerência administrativa em uma determinada companhia. Surgiu uma candidata com ótimo currículo, referências excelentes e dez anos de experiência na área em questão. Foi admitida, mas três meses após sua contratação estava a ponto de ser dispensada já que não opinava, não participava de forma ativa nas reuniões e evitava tomar decisões. Tivemos uma conversa franca em que expus o problema e perguntei o que estava acontecendo. Ela me disse que estava tentando ser discreta nos primeiros meses para evitar conflitos, pois achava que teria anos para mostrar seu real estilo. Ledo engano: jogar muito tempo na fachada é um péssimo negócio. Ela se arrependeu muito por “esconder o jogo” quando já era tarde demais.

 

As outras três janelas são: a arena, onde se encontram os comportamentos conhecidos pela própria pessoa e por aqueles com quem ela convive; a mancha cega, onde estão as informações ignoradas pela própria pessoa, mas conhecidas por quem com ela convive; e o desconhecido, onde estão os fatores da personalidade desconhecidos pela pessoa e pelos outros a seu redor.

 

O grande objetivo de usar a Janela de Johari é reforçar seu autoconhecimento para saber quais são os seus verdadeiros talentos e usá-los a seu favor. Portanto, aumente a sua arena, posicione-se de uma maneira mais transparente e saiba interpretar, de maneira construtiva, a opinião dos outros ao seu respeito. Só assim você saberá analisar se a empresa em que você trabalha ou gostaria de trabalhar é adequada para você, e se você é o profissional certo para ela.

 

*Sobre o autor: Eduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas e especialista em treinamentos e consultorias in company, com aplicações práticas da Neurociência Comportamental. É pós-graduado em Direção de Empresas, especializado em Coordenação e Dinâmica de Grupos e autor do livro Por que a gente é do jeito que a gente é?, da Editora Gente. 

 

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por INESUL às 11:13


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