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Ego: desmistificando esse vilão

Segunda-feira, 12.11.12
Por Alexandre Prates* | Administradores.com.br
 
Já perdi a conta de quantas vezes eu ouvi: "O problema desse profissional é o ego!" ou "O que destrói essa equipe é o ego!". As afirmações são compreensíveis, mas é preciso analisar o que realmente estamos querendo dizer com essa frase para que possamos atuar na essência do problema.
 
O ego é formado por "aquilo que queremos x o nosso senso de realidade x os valores pelos quais norteamos a nossa existência". É determinado pela ordem de prioridade que os elementos ocupam em cada pessoa. Há quem priorize os seus desejos em detrimento da realidade e valores morais; no entanto existem pessoas que se preocupam muito mais com a realidade, colocando a razão em jogo ao invés de render-se a prazeres imediatos; já algumas pessoas utilizam um filtro chamado moral para validar a integridade dos seus desejos.
 
Independente da prioridade de cada um, o ego é o verdadeiro representante do seu "eu", pois leva em consideração aquilo que realmente importa para uma pessoa e que baliza a maneira como nos comportamos. É impossível viver sem atender o nosso ego. Negar seu ego é negar sua existência!
 
Portanto, o ego não é o vilão da história, pois sem ele, não haveria sentido para criarmos, realizarmos, inovarmos, enfim, a humanidade não teria evoluído sem real sentido de cada um.
 
Então, onde está o problema?
 
O problema está na tentativa desenfreada de atender o ego a qualquer custo, também conhecida como egoísmo. Uma pessoa egoísta tem o hábito de colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, não se importando com o ambiente a sua volta. Uma pessoa egoísta – e todos são em maior ou menor medida – sofre porque as outras pessoas não correspondem à sua expectativa.
 
Vamos analisar uma situação: Juliana deseja assumir a diretoria da empresa e sente-se preparada para isso. No entanto, por questões estratégicas, a empresa decide trazer um executivo de fora. É fato que a contratação foi a melhor decisão para a empresa. Face a isso, Juliana pode adotar diferentes comportamentos:
 
- Comportamento egoísta destrutivo: Não consegue desejar que o novo diretor tenha êxito e irá boicotá-lo;
 
- Comportamento egoísta defensivo: Não tentará prejudicar o novo diretor, mas o seu desempenho será prejudicado, pois o fator motivação foi abalado;
 
- Comportamento egoísta fugitivo: Não consegue conviver com a situação e desistirá da empresa;

- Comportamento altruísta: Por saber que isso é o melhor para a empresa, adotará uma postura colaborativa.
 
É fato que encontrar uma pessoa com um comportamento altruísta nas empresas não é uma tarefa fácil, pois no mundo dos negocios dá-se muito mais valor a competição do que a colaboração. Uma pessoa somente terá um comportamento altruísta dentro de uma organização se o ambiente permitir que isso aconteça, caso contrário, o egoísmo, independente da sua forma, prevalecerá. As empresas não podem permitir que a competição destrua os times. As pessoas devem ser estimuladas a ter mais consciência do outro, a colaborarem mais, a compartilharem informações em prol de um propósito maior.
 
Porém, uma pessoa não pode ser crucificada por ter um comportamento egoísta, afinal, todos já nos comportamos assim em algum momento da vida, seja no trabalho, no relacionamento, no trânsito, enfim, todos já colocamos os nossos interesses em primeiro lugar. O problema é quando o egoísmo não é apenas um comportamento momentâneo e sim, faz parte da identidade da pessoa, fazendo-a ignorar tudo e todos em prol do seu ego.
 
Uma pessoa intrinsecamente egoísta é regida por valores como poder, status, independência, ambição. Não que esses valores devam ser extintos da sociedade, mas devem ser acompanhados de outros valores como compaixão, solidariedade, colaboração, respeito.
 
Muitas vezes devemos sim ser egoístas, saber dizer não, colocar os nossos interesses em primeiro lugar, pois viver abdicando do nosso ego não nos trará felicidade. Isso é assertividade!
 
Portanto, meu amigo(a), a regra é simples e já conhecida de todos nós: Equilíbrio. Saber a hora de ser altruísta e saber a hora de ser egoísta.
 
Da mesma forma, as empresas precisam compreender que um profissional será altruísta quando a empresa fizer por merecer. Se o profissional adotar um comportamento altruísta e não for valorizado por isso, esqueça, da próxima vez, o comportamento egoísta será inevitável.
 
Independente da sua personalidade, eu gostaria de lhe dar apenas três dicas para que a sua trajetória seja mais suave:
 
1. Adote um comportamento altruísta, mesmo que seja difícil, e as pessoas se aproximarão de você;
 
2. Seja egoísta quando preciso, mas deixe claro para as pessoas o motivo;
 
3. Não deixe que a ansiedade de atender o seu ego, destrua a sua capacidade de construir uma trajetória profissional íntegra.
 
*Sobre o autor: Alexandre Prates é especialista em liderança, desenvolvimento humano e performance organizacional. É também Master Coach, palestrante e autor do livro "A Reinvenção do Profissional - Tendências Comportamentais do Profissional do Futuro" e da metodologia de coaching "Inteligência Potencial".
 

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por INESUL às 10:31


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